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O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

28.Jul.20

Um misto de nostalgia e aborrecimento

     Estou de férias e por isso voltei à cidade que me viu nascer. Uma cidade pequena, no interior que pouco ou nada tem para fazer. Ficaram amigos, ficaram familiares e apesar da pandemia não resisto. Já passaram demasiados meses sem os ver e as saudades começam a apertar. Aproveito uns dias de férias e após um curto confinamento voluntário regresso aquela que devia ser a minha casa. Já não é. Passaram demasiados meses. Demasiados anos. Já não é a minha casa. Esta já não é a minha cidade. Ao chegar reconheço tudo tal igual ao que deixei. Nada mudou. Só eu!

     Num misto de nostalgia e aborrecimento remexo as minhas coisas antigas. Algumas de que me lembro como se fosse ontem. Outras, poucas, podia jurar que nunca as tinha visto. Revejo livros. Tantas recordações guardadas numa simples capa de um livro. Posso não me lembrar da história que aquelas letras contam, mas lembro-me de como me estava a sentir. Até do que fiz enquanto o estava a ler. Revejo textos que escrevi. Relembro velhos sentimentos que ficaram para trás. Relembro pessoas que significaram tanto com quem nunca mais falei.

     Num misto de nostalgia e aborrecimento remexo nas minhas coisas antigas. Tanto talão guardado como recordação. Mapas de locais onde fui, para os quais nunca mais olhei. Panfletos, postais e sabe-se lá mais o quê.

     Já sem misto de aborrecimento e já só nostalgia encontro um talão, daqueles escritos em papel térmico. Está em branco. Os anos passaram e levaram com eles toda a tinta que um dia teve tanto significado. Apenas ficou este rectângulo branco para me lembrar que tudo isto faz parte do passado. Está na hora de voltar ao presente!