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O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

03.Mar.15

Os postais

     Neste mundo de atarefada correria um jovem compra postais na papelaria da esquina. Sim, um jovem! Será provavelmente alguém de passagem. Deve querer uma recordação deste local para nunca mais voltar. Certamente terá feito essa paragem para se poder gabar aos amigos e familiares dos sítios por onde passou. Mal paga os postais sai em passo apressado. Provavelmente foi dessa forma que passou pelos locais retratados nos postais, se é que alguma vez os viu. Entra no metro e dai vai para casa só a uma estação de distância (mas ele não era um turista?!) sempre sem abrandar o andamento. Pousa os postais na escrivaninha do quarto e liga o computador. Mal este inicia tecla rapidamente a palavra passe e movimenta-se pelo mundo virtual a uma velocidade que só alguém tão novo pode ousar (será que se lembra sequer dos postais no canto da secretária?). Entra no site descoberto recentemente e procura avidamente por algo.

     Pára! Descobriu o que procurava! Eis uma morada e uma pessoa. Sim, uma pessoa real, daquelas de carne e osso. Perde vários minutos a descobrir tudo aquilo que pode sobre a pessoa. Passa várias vezes os olhos, lentamente, pelas palavras que de alguma forma descrevem o desconhecido. Agarra numa folha e numa caneta e começa a escrever, medindo cada palavra. Quando ao fim de vários minutos se dá por contente com o que escreveu, agarra-se aos postais e escolhe aquele que julga ser o mais apropriado. Com uma lentidão anormal copia cuidadosamente, palavra por palavra,  a morada bem como o texto planeado para o postal escolhido. Ao terminar repete novamente o processo. Novo desconhecido, novo país, nova pessoa para descobrir através de poucas palavras e novo texto por escrever. Volta ao rascunho, busca novas palavras, novo assunto com um mesmo objectivo, fazer a outra pessoa sorrir.

     Finalizado o segundo postal apercebe-se das horas. Os correios fecham dentro de poucos minutos. Apressa-se novamente. Pega nos postais e corre pelas ruas. Não tem tempo a perder. Ao chegar, apesar de ainda ter tempo, sente um nervosismo crescer. Não sabe se fez tudo certo, se vão perceber a sua letra, se os postais vão chegar aos destinos. É a sua vez de ser atendido: "Este é para a Rússia e este para a Alemanha, se faz favor". Paga e sai. Novamente calmo e com um largo sorriso volta para casa. Agora é só esperar pelas respostas.