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O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

22.Fev.15

O meu livro

     Agarrado ao meu livro perco-me nas palavras. As frases construídas tornam-se realidades e a realidade torna-se fantasia. Todas as personagens passam a fazer parte da minha vida e daquilo que eu sou. Quando leio o meu livro eu deixo de ser eu. Deixo de ser o aluno, o amigo, o filho. Deixo de ser a pessoa que está sentada no banco do metro à espera de chegar ao seu destino. Deixo de existir durante os instantes em que estou agarrado aquelas folhas de papel com bocados de tinta espalhados.

     O meu livro leva-me a viajar por muitos países, por terras de fantasia e realidade. Com ele conheço pessoas reais. Amigos, colegas, pais e mães que me dão pedaços delas em troca de outros que eram meus. Eles mudam-me e eu mudo-os a eles. Nas longas conversas com alguns e nas curtas trocas de palavras que tenho com outros passamos a fazer parte da existência uns dos outros.

     Este livro não tem editora nem tão pouco outros leitores. Nas suas páginas estão escritas muitas histórias que se cruzam e enredam numa confusão de nomes e locais. Desde o Tyrion ao Jack, passando pela Alice e pelo Max todos foram meus confidentes e todos me ensinaram algo. Com eles e com tantos outros viajei e continuo a viajar no tempo e no espaço, as centenas de quilómetros e anos que separam o hoje e o agora do infinito que é a imaginação.