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O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

16.Fev.19

O escritor

          Escrevia todos os dias. Com papel e caneta, sentado em frente à secretária, inventava as mais mirabolantes histórias de fantasia, guerra, romance. Descrevia as suas personagens com uma paixão só possível de se ter por alguém que se conhece melhor do que a nós mesmos. Todas elas tinham uma história, família e amigos. Todas as suas personagens tinham emprego, interesses nos tempos livres e lutavam por aquilo em que acreditavam. Tudo aquilo que escrevia estava cheio de significado, mais não fosse para ele, mas nunca publicava nada. Não, não era capaz. Faltava sempre algo ao texto. Apesar de todos os dias jogar com as palavras, nunca eram as certas para descrever aquilo que ele via na vida das suas personagens. E ele não as podia partilhar com o mundo enquanto o texto não estivesse perfeito, enquanto as palavras não descrevessem a realidade. Aquela realidade que só ele via nas personagens que faziam parte dele e que o descreviam melhor do que ele se conseguia descrever a ele mesmo. Ele não ousava partilhar algo que não estivesse concluido, mas ainda menos ousava concluir algo que ele não queria que terminasse.

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