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O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

02.Jul.20

Porque escrevo

O pior cego
     Passo horas em frente a páginas em branco. Mais horas ainda em frente a palavras que acabo por apagar. E muito mais com ideias que teimam em não ganhar forma e sair para o papel.      Uso demasiado do meu tempo a pensar em escrever. Uso demasiado do meu tempo a pensar no que escrever. Uso demasiado pouco do meu tempo a escrever.      Não sei porque o faço. Não sei porque gasto toda esta energia com algo que, no fim de contas, aparenta sempre ser algo tão inutil e sem (...)
30.Jun.20

Só para ti

O pior cego
     Estas palavras são só para ti.      Tu que estás a ler este texto.      Escrevo para ti e mais ninguém.      Agora que todos querem ter milhares de seguidores, gostos, visualizações, eu só quero que tu leias este texto e mais ninguém.      Não o partilhes, nem sequer o voltes a ler.      Se ao leres esta palavra. Sim, esta mesmo. Ou a próxima. Em qualquer uma. Se ao leres esta palavra te aperceberes do que tens de fazer neste momento, vai faze-lo.   (...)
29.Jun.20

Porque volto sempre

O pior cego
     Todos os dias penso em escrever e raramente o faço.      Todos os dias tenho uma nova ideia e raramente a concretizo.      Todos os dias tenho um novo texto e raramente o publico.      Quero-o fazer. Quero escrever e quero que os meus textos sejam publicados. Queria ter a coragem de passar as minhas ideias para o papel virtual do meu computador e mais coragem ainda para as enviar para o mundo. Mas não tenho. Pelo menos não na maioria dos dias.      Ao olhar para (...)
06.Ago.19

Colisão com aves motivou aterragem

O pior cego
     Voava rente ao chão com medo de cair. Numa tentativa de se deslocar mais rápido que todos os que o rodeavam, de chegar mais alto, voava. Batia as suas pequenas asinhas com uma força descomunal. Contra o vento, contra a chuva, contra todas aquelas correntes de ar frio que, segundo todos os programas de vida selvagem, se deviam evitar de forma a manter-se mais tempo no ar com menos esforço.    Não voava acompanhado, muito menos numa formação enorme de aves ensurdecedoras. (...)
05.Ago.19

Cavalos errantes destroem culturas

O pior cego
     Galopam como se não houvesse amanhã. Hoje estão aqui, amanhã ali. Sem dono nem estábulo vão onde querem e quando querem. Não trazem nada, não levam nada. Julgam-se donos do mundo só porque podem o que nunca ninguem pode. Sem responsabilidades e com todas as regalias sem custos nem penalizações.      Visitam culturas e tiram selfies junto de monumentos antigos que destroem sem saber que o fazem. Comem como se estivessem em casa e julgam-se criticos de culinária. (...)
26.Mai.19

Não votei!

O pior cego
     Eu não vou votar!      Eu sei que é um dever, que é um direito. Até concordo que o meu voto ia contar para alguma coisa e é por isso mesmo que não vou votar. Não vou votar porque não sei em quem votar. E por muitos bons argumentos que usem, não vou votar num mal menor. Fiquem descansados, os ofendidos, que não vou levar os próximos anos a reclamar dos politicos. Reclamo sim daqueles que tudo o que fazem é votar! Votar é um dever, mas é também o dever de votar (...)
21.Mai.19

O post-it

O pior cego
     Procurava por todo o lado e não encontrava.      Desde há muito tempo que tinha ganho o hábito de escrever em post-its para não se esquecer de nada. As listas de compras colava-as na carteira para saber se tinha tudo antes de pagar. Os títulos dos videos que queria ver mais tarde colava-os no computador para no dia seguinte estarem mesmo à sua frente. Tarefas das quais não se podia esquecer estavam coladas ao telemóvel por ser dos objectos para os quais mais olhava. (...)
22.Fev.19

O falso escritor

O pior cego
     Escrevia sem parar. Não livros nem mesmo contos. Por vezes nem histórias eram. Nada tinha nem principio nem meio nem fim. Não conhecia artimanhas para atrair o leitor nem sabia como utilizar as espressões correctas para descrever um sentimento ou uma emoção mas isso também não importava. O seu unico público era ele mesmo quando voltava a ler esses textos anos mais tarde. Muitas das palavras eram apagadas antes mesmo de as reler. Sabia que não tinham valor. Tudo o que (...)
18.Fev.19

O escritor - bloqueado

O pior cego
     Todos os dias escrevia. Caneta e papel era tudo o que precisava para se sentir completo. Sentado onde fosse, ou até mesmo de pé, escrevia sobre tudo e sobre nada. Brincava com as palavras e elas brincavam com ele como velhos amigos. Enchia folhas sem fim. Autenticos livros com principio meio e fim. Rabiscava até nas margens de outros livros apesar de detestar estraga-los (porque para ele fazer qualquer alteração que fosse ao estado original das coisas era estragar). Por vezes, (...)
16.Fev.19

O escritor

O pior cego
          Escrevia todos os dias. Com papel e caneta, sentado em frente à secretária, inventava as mais mirabolantes histórias de fantasia, guerra, romance. Descrevia as suas personagens com uma paixão só possível de se ter por alguém que se conhece melhor do que a nós mesmos. Todas elas tinham uma história, família e amigos. Todas as suas personagens tinham emprego, interesses nos tempos livres e lutavam por aquilo em que acreditavam. Tudo aquilo que escrevia estava cheio (...)