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O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

28.Mar.17

4 Dias - O mar

     Imenso o mar que se vê. Imenso o mar que se sente. Imenso o mar que se saboreia.

     Mais água do que a vista alcança. Mais água do que é possível de imaginar a separá-lo dos seus sonhos. Este mar salgado que lhe fere os olhos alimenta também a sua vontade. Homens tentaram conquistá-lo e desistiram. Não é como o ar em que só os mais leves resistem. Não é como o ar em que se pode andar seguro. Não é como no ar em que o maior medo é aterrar. Porque ele tem medo. Tem medo da imensidão que o separa de tudo o resto. Só de imaginar todas as criaturas enormes que se escondem nas profundezas. Da escuridão que se esconde por baixo dele. Ele tem medo das ondas do tamanho de prédios de três e quatro andares pelas quais navega diariamente. Ele tem medo da força esmagadora que toda esta água tem.

     A sua paixão é maior. A adrenalina que corre pelo seu corpo cada vez que está de pé no seu barco oscilante é o que o alimenta. Essa adrenalina é o que o faz levantar-se todas as manhãs. Viver sem este medo não seria viver. As suas pernas firmes não estão seguras com terra por baixo de si. Com algo tão estático. Com algo tão seguro. As suas mãos calejadas não foram feitas para agarrar uma caneta ou para as teclas minúsculas de um computador. Os seus pulmões não foram feitos para respirar um ar que não tivesse aquele cheiro a mar.

     No mar, onde a sua barba espessa coberta de sal o protege do vento forte, é onde se sente bem. No mar que o embala todas as noites é onde se sente em casa.