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O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

21.Mar.17

11 Dias - Os tolos

     Nós vemos o mundo de forma diferente.

     Mais que tolos, somos loucos. Somos malucos. Completamente varridos da cabeça.

     Para nós o mundo é um lugar bom. Para nós o mundo está cheio de oportunidades que podemos agarrar a qualquer momento. Para nós, ninguém nos pode parar. Está tudo ao nosso alcance e basta nós lutarmos.

     Estamos sozinhos no mundo. Não acreditam em nós. Ninguém vê aquilo que nós vemos. Ninguém consegue ver aquilo que podia ser, não como nós. Há quem veja o que pode ser se tudo acabar bem. Há quem veja até o que pode ser se tudo correr bem. Mas nós não. Nós vemos o futuro como ele deveria ser. Nós vemos o futuro como queriamos que ele fosse. Nós vemos o futuro como ele seria se todos se dirigissem para lá.

     Sozinhos, lutamos. Sozinhos, insistimos. Sozinhos, desistimos...

     Nós, os tolos que sonham, somos tolos, somos malucos, somos completamente varridos da cabeça... Sempre que desistimos!

 

“Demasiada sanidade pode ser loucura;
mas a maior loucura de todas
é ver a vida como ela é,
e não como poderia ser.”
- Cervantes, “Don Quixote”

20.Mar.17

12 Dias - Certezas

     Eu sou a pessoa com mais dúvidas que conheço. Não tenho respostas concretas para quase nada. Quase tudo depende.

     Acho que isso faz com que toda a gente olhe para mim como alguém que não sabe o que quer. Como alguém que apenas segue os outros e que acaba por não ter ideias próprias.

     Mas há algumas certezas que tenho. E sempre que as demonstro e não mudo de opinião chamam-me teimoso. Não é que eu não seja teimoso, porque sou. Qualquer pessoa que me conhece sabe que eu sou a pessoa mais teimosa que conhecem. Mas quando tenho certezas é pior.

     Uma das certezas que eu tenho é que sou mau comunicador. Sou mau a falar, a escrever e, pior que tudo, a vender. Principalmente vender-me a mim mesmo. Eu sei aquilo que sou. Tenho a certeza daquilo que sou, mas é difícil arranjar provas, convencer os outros de quem sou.

     Talvez esteja na altura de deixar de ter a certeza, de saber aquilo de que sou capaz e simplesmente faze-lo!

19.Mar.17

13 Dias - Porquê?

     Porquê o quê?

     Quem é que não teve já esta conversa?...

     Pronto, admito, eu sou chato. Estou na idade dos porquês. Sempre estive e espero sempre estar! Eu gosto de saber. Não só porquê, mas como, quando, onde... Tudo!

     Sabem porque é que a terra tem aquele cheiro característico das primeiras chuvas? Sabem qual a altura do monte Everest? Sabem porque é que há pessoas que bocejam só por ler esta frase? (ou por a ter escrito)

     Eu sei essas coisas todas e muitas mais. Nenhuma delas tem qualquer utilidade prática, mas eu gosto de saber. Por vezes perco horas a pesquisar sobre estas coisas ou outras igualmente inúteis. Horas sem fim a ver vídeos e a ler artigos, científicos ou não. Por vezes até comentários de outras pessoas a esses vídeos e artigos. Há quem lhe chame procrastinar, eu chamo-lhe aprender.

     Se te estás a perguntar porquê, então sabes como me sinto cada momento do meu dia.

18.Mar.17

14 Dias - Desafios

     Faz hoje dezoito dias que comecei este desafio. Claro que vou deixar as conclusões para o fim mas, agora, com mais de metade do caminho percorrido, começo a pensar no futuro. A planear. A projectar...

     Provavelmente é mau mas, como se costuma dizer, não é defeito, é feitio...

     Não sei o que fazer com o blogue. Se hei-de continuar a escrever mas com uma frequência menor, se hei-de tentar continuar a escrever todos os dias. Pensei também em começar um desafio diferente. Seguindo o espírito com que comecei este, começar algo novo no inicio do próximo mês e faze-lo por 30 dias seguidos. Talvez até possa utilizar o blogue para relatar esse novo desafio. Mas faltam ideias. Há imensos desafios interessantes, mas quase todos implicam bastante tempo ou pelo menos um investimento inicial.

     Talvez esteja a pensar demais nisto e deva simplesmente deixar fluir. No último dia deste mês decidir e começar, sem sequer pensar, mas queria mesmo fazer alguma coisa e posso não ter nenhuma ideia até lá. Se alguém tiver sugestões, são bem vindas. ;)

17.Mar.17

15 Dias - Mais um

     Durante a escola nunca se destacou. Nem para o bem nem para o mal. Era bom aluno o suficiente para ninguém se preocupar, mas não era bom o suficiente para ser diferente.

     Durante a faculdade seguiu o mesmo percurso. Fez o curso sem chumbar a demasiadas cadeiras. Cumpriu o programa e saiu sem que mais de um ou dois professores soubessem sequer o seu nome.

     Na empresa onde trabalhou durante mais de trinta anos também cumpriu o que era sua responsabilidade. Subiu o que podia subir. Chefiou algumas pessoas mas nunca se destacou. Apesar de todos saberem o seu nome, de todos se dirigirem a ele quando haviam problemas na sua área, isso apenas se devia aos incontáveis anos de experiência. Nunca desenvolveu um talento real. Também não o procurou. Estava confortável com o que conhecia. Estagiários vinham e iam, até os seus colegas acabavam por ir mudando, mas ele estava confortável.

     Claro que na escola e mais tarde na faculdade teve namoradas. Claro que ia beber umas cervejas com amigos. Pouco depois de começar a trabalhar conheceu aquela que viria a ser a sua mulher. Não foi amor à primeira vista, mas gostavam um do outro. Namoraram e acabaram por casar. Tiveram dois filhos e uma casa que levaram a vida toda a pagar. Tiveram as suas discussões e os seus amuos. Iam até passar alguns fins-de-semana fora. Só os dois, ou por vezes com os miúdos. Nunca houve chama, mas viveram uma vida confortável, juntos.

     No fim, na sua lápide, por entre tristeza e um misto de saudade os seus filhos mandaram inscrever "Descanse em paz" mas toda a gente que passava por ela no cemitério sabia que ele era apenas mais um...

16.Mar.17

16 Dias - Voar

     Metáfora por excelência para o sonho. Construindo passarolas com as vontades ou desenhando obras de engenharia mirabolantes, todos querem voar. Da criança mais pequena que quer ser astronauta ao velhote que quer andar de avião pela primeira vez. Do cientista mais conceituado à pessoa que nunca saiu da sua cidade. Todos se maravilham com o bater das asas de um pássaro, todos ficam espantados ao estar junto de um avião.

     Quem nunca pensou em fugir? Quem nunca quis explorar o mundo? Mas quem sonha nunca pensa em visitar a cidade vizinha ou o seu próprio país. Todos sonham em entrar dentro de um avião e voar para bem longe. Só o acto de rebeldia de bater as asas é realmente fugir, só o acto de voar é realmente viajar.

     Eu também sonho, também quero voar, também quero fugir. Mas não do lugar onde estou nem do meu país. Quero fugir daquilo que sou, quero ser melhor e ir mais longe. Queria voar sem sair do lugar.

15.Mar.17

17 Dias - Paixão

     Passou anos agarrado aos seus livros. Durante páginas sem fim apaixonou-se e odiou com toda a força com que uma pessoa se pode apaixonar ou odiar. Aquelas personagens descritas no papel transbordavam e tornavam-se reais. Tão reais ou mais até do que qualquer pessoa que ele conhecesse.

     A paixão com que Don Quixote exaltava a sua Dulcineia del Toboso inspirava-o. Também se apaixonou perdidamente por Cosete e tantas outras que acabou por lhes ir esquecendo os nomes. Cada novo livro era uma nova paixão, mas cada novo livro era também um novo ódio. Aquele-cujo-nome-não-deve-ser-pronunciado deixou também a sua marca, a par com outros incontáveis vilões dos seus livros.

     Fez também amigos para a vida. Desde crianças como Zezé e Alice, passando por assassinos como Dexter e Raskolnikov e até animais como Buck nunca os esquecerá. Harry e Kvote também lhe farão para sempre companhia e o poder dedutivo de Sherlock guiá-lo-á nas suas aventuras.

     Todos estes nomes, todas estas personagens podem ser estranhos para a maioria mas serão sempre conselheiros e amigos deste apaixonado. Apesar disso e de tantos novos nomes serem constantemente adicionados à lista, há uma pessoa (sim, porque ela deixou de ser uma personagem há muito tempo) que se destaca. Fechada num livro de pouco mais de cem páginas é descrita na perfeição, e ele volta sempre para ela. Sempre que se sente sozinho ou triste. Por vezes vai ter com ela para lhe contar também os seus sucessos e o que o faz feliz. Mas mesmo quando se passam meses sem lhe falar, acaba sempre por voltar para ela, e por abrir o livro para a libertar para este mundo que é o dele.

14.Mar.17

18 Dias - O meu direito

     A grande maioria das pessoas reivindica os seus direitos. São as coisas mais importantes das suas vidas e agem, também, como se fossem as coisas mais importantes das vidas das outras pessoas.

     Há quem arremesse de tudo com o seu direito. Escondem-se atrás dele como se fosse algo intocável e imutável, mas não é. Nada é fixo, nada permanece para sempre igual, nem mesmo algo tão nosso como o direito. Ao longo dos anos as pessoas têm de o exercitar, têm de desenvolver o seu direito, mas com tanta injustiça e tanta pessoa que nos tenta mudar, temos também de exercitar o nosso esquerdo. Seja por nós ou por todas as pessoas canhotas pelo mundo fora.

13.Mar.17

19 Dias - Devagar

     A minha estante pequena cresce devagar. Um livro de cada vez, por vezes apenas quatro ou cindo por ano. Eu leio bastante, mas entre maus livros e ficções, absorvo o que é real, devagar. Os meus conhecimentos crescem, devagar.

     Demoramos demasiado a crescer. A eternidade que dura um dia de escola, a eternidade que dura um período até por fim termos férias. Quando queremos crescer o tempo passa demasiado, devagar.

     Na faculdade, uma espécie de inicio da vida adulta, levamos horas sem fim a ler livros e apontamentos que esquecemos pouco depois. Tantos anos passamos nós a estudar. Tantos anos que não chegam ao fim. Tantos anos que passam demasiado, devagar.

     Ao sairmos da faculdade passamos meses eternos à procura de emprego. Meses fechados em frente a um computador em busca da oportunidade perfeita que não existe. Saltamos de entrevista em entrevista, enviamos incontáveis currículos aos quais as respostas vêm demasiado, devagar.

     Quando olhamos para o relógio vemos os segundos a passar. Um de cada vez. Por vezes minutos ou horas. Sempre ao mesmo ritmo. Na esperança de algo melhor, com os olhos postos no futuro, o tempo passa demasiado, devagar.

     Estes segundos infinitos, passam sempre à mesma velocidade e, se olharmos para o que já passou, o que não dávamos para os vermos passar, mais devagar...

12.Mar.17

20 Dias - Nada

     Sempre tive dificuldades em fazer apresentações orais. Talvez por não estar completamente à vontade no tema, talvez apenas pelo extremo nervosismo, acabava sempre por me engasgar e enganar em alguma coisa.

     Acima de tudo, acho que o meu grande problema era em falar, em convencer as pessoas de que o que estava a dizer era importante quando eu sabia que não era. Sempre tive problemas em falar de nada. Em falar só por falar. Com o passar dos anos fui evoluindo essa habilidade.

     Hoje está sol. Também já fazia falta. Mas para a semana já dão descida de temperatura outra vez. Ouvi dizer que davam chuva. Mas aqui dentro até se está bem, com o ar condicionado ligado. E viste ontem? Aquele grande golo aos 90 minutos? E aquele vídeo que publicaram ontem? Está mesmo engraçado, tens de ver!

     Sim, é isso mesmo que estão a pensar. Não tinha nada para dizer hoje. Mas isso não me vai impedir de cumprir o desafio!