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O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

31.Mar.17

1 Dia - O último

     Este é o último dos 31 dias seguidos a cumprir o desafio de escrever todos os dias neste blogue.

     Só ter conseguido manter os 31 dias seguidos sem falhar já foi um feito. Foi preciso programar alguns textos com antecedência quando sabia que não ia estar nesse dia e também alguma organização para saber sempre com antecedência quando iriam ser esses dias. O meu principal objectivo, no inicio, era aumentar a minha criatividade. Nos primeiros dias chegou mesmo a ser difícil arranjar algum tema e vencer um bocado a timidez de escrever para um público, mas no fim esses pequenos problemas já estavam mais do que vencidos.

     Acho que o que consegui retirar mais deste desafio foi saber que era fácil escrever sobre qualquer coisa. É fácil arranjar um tema, é fácil arranjar ideias continuamente. Até escrever duzentas palavras seja sobre o que for é fácil. O difícil para mim não foi escrever. O difícil é escrever bem e acho que isso não se consegue apenas durante um mês, muito menos com uma agenda. É preciso tempo e dedicação e por vezes também deixar simplesmente fluir.

     É o fim do desafio mas não é o fim do blogue. Vou continuar a escrever por aqui, melhor ou pior, mas desta vez sem datas certas. Vou deixar fluir e ver o que vai dar.

30.Mar.17

2 Dias - Lá fora

     Vivemos num país pequeno em que é difícil arranjar emprego. Mesmo as poucas ofertas que existem são mal pagas e sentimo-nos explorados. Estudar também não ajuda. Se estivermos apenas a falar de emprego e de ser bem pago, ter um curso não nos ajuda muito, ou mesmo nada. É aí que temos de nos virar lá para fora.

     Há quem nos mande emigrar. Há quem critique essa atitude. Há quem queira ficar na cidade em que nasceu e há também quem pense que só pode ter verdadeiras oportunidades lá fora.

     Lá fora há emprego. Lá fora somos bem pagos. Lá fora dão valor aos anos de estudo e ao dinheiro investido.

     Lá fora vivemos para trabalhar. Lá fora estamos longe de toda a gente que importa. Lá fora vamos ser sempre emigrantes.

     Todas estas frases são ditas e todas elas são verdade, se tivermos sorte lá fora. Todas elas podem também ser mentira, se tivermos azar.

     Apesar disso tudo, no mundo actual deixou de existir o lá fora. Eu demoro menos tempo a chegar a Lisboa a partir de qualquer capital europeia do que a chegar ao aeroporto, a partir de minha casa. Um bilhete de avião é mais barato do que um bilhete de autocarro. Consigo falar com toda a gente, em tempo real, sem pagar nada, esteja onde estiver no mundo.

     Isto tudo para dizer que o lá fora não existe, assim como não existe o cá dentro. Se quiseres ir vai, seja onde for. Se não quiseres ir fica e construí o que queres onde estiveres. Luta pelos teus sonhos e não arranjes desculpas.

29.Mar.17

3 Dias - O vilão

     Todas as histórias têm de ter um. Reais ou fictícias, nenhuma seria a mesma coisa sem alguém para dificultar a vida ao herói. Em crianças eles metem-nos medo. Os nossos pais metem-nos medo com vilões fictícios que nos levam a fazer coisas que não queremos. Em adolescentes odiamo-los. Alguém tão mau não deveria sequer existir e todos eles deveriam ser mortos e sofrer coisas horríveis no final da história. Em adultos começamos a compreende-los. Talvez não em tudo o que fazem, mas pelo menos conseguimos compreender o que os levou a tais extremos.

     Fora da ficção, conseguimos ver que o mundo não é tão preto e branco. Quando nos são mostradas as origens dos vilões começamos a ver que talvez eles tenham razão. Por vezes começamos até a ter pena deles. Talvez eles só precisassem de ajuda, mas de certeza que a pior coisa que lhes podem fazer é continuar a odiá-los e a criticar cada decisão que eles fazem.

     Na vida real eles também existem. Existem pessoas que são transformadas em autênticos vilões em todo o lado, mas ai ninguém nos mostra as suas origens, ninguém nos mostra o que os levou a tais extremos. Num mundo tão colorido, continuamos a ser apenas mostrados o preto e o branco e querer procurar qualquer outra cor é ser transformado também em vilão.

28.Mar.17

4 Dias - O mar

     Imenso o mar que se vê. Imenso o mar que se sente. Imenso o mar que se saboreia.

     Mais água do que a vista alcança. Mais água do que é possível de imaginar a separá-lo dos seus sonhos. Este mar salgado que lhe fere os olhos alimenta também a sua vontade. Homens tentaram conquistá-lo e desistiram. Não é como o ar em que só os mais leves resistem. Não é como o ar em que se pode andar seguro. Não é como no ar em que o maior medo é aterrar. Porque ele tem medo. Tem medo da imensidão que o separa de tudo o resto. Só de imaginar todas as criaturas enormes que se escondem nas profundezas. Da escuridão que se esconde por baixo dele. Ele tem medo das ondas do tamanho de prédios de três e quatro andares pelas quais navega diariamente. Ele tem medo da força esmagadora que toda esta água tem.

     A sua paixão é maior. A adrenalina que corre pelo seu corpo cada vez que está de pé no seu barco oscilante é o que o alimenta. Essa adrenalina é o que o faz levantar-se todas as manhãs. Viver sem este medo não seria viver. As suas pernas firmes não estão seguras com terra por baixo de si. Com algo tão estático. Com algo tão seguro. As suas mãos calejadas não foram feitas para agarrar uma caneta ou para as teclas minúsculas de um computador. Os seus pulmões não foram feitos para respirar um ar que não tivesse aquele cheiro a mar.

     No mar, onde a sua barba espessa coberta de sal o protege do vento forte, é onde se sente bem. No mar que o embala todas as noites é onde se sente em casa.

27.Mar.17

5 Dias - O maior feito

     Nós vivemos a vida a fazer coisas. Sozinhos e acompanhados. Coisas que só nós vemos ou à vista de todos. Fazemos também coisas com um objectivo concreto ou, por vezes só por fazer. Até o que não fazemos é uma escolha que estamos constantemente a fazer.

     Talvez por ser novo, talvez apenas por ser um sonhador, eu sonho com fazer algo importante, algo que marque o mundo e não apenas os que me conhecem. Sonho em fazer algo de que possa realmente ter orgulho. Sonho com o dia em que faça algo a que possa chamar meu. Apontar e dizer que aquilo fui eu que fiz e dizer, com toda a certeza, que aquele foi o meu maior feito.

     Até hoje não fiz nada disso. Não fiz nada de especial com a minha vida. Grande parte do tempo sinto até que não fiz mesmo nada. Mas mesmo parado, continuo a sonhar com o dia em que leio este texto e penso "consegui".

26.Mar.17

6 Dias - Assustado

     Depois de acompanhar as noticias durante algum tempo, estou a começar a ficar assustado. Não pelos atentados nem pelos assassinatos, mas pelas noticias em si. Todas as noticias são más. Na melhor das hipóteses, temos boas noticias sobre o nosso clube de futebol, mas mesmo nesse caso, essa noticia é má para os adeptos do clube que perdeu.

     Na tentativa de encontrar algo bom, uma noticia boa e actual, recorri ao google. Como sempre, não falhou. Encontrei um site inteiro cheio de noticias boas. Fiquei ainda mais assustado... Todas as noticias boas acontecem depois de algo mau acontecer. Um avião despenhou-se, mas sobreviveu toda a gente. Um homem sobreviveu após nove dias perdido. Um cão foi resgatado por um drone. Depois disto tentei pensar em algo bom que pudesse acontecer. Algo que fosse simplesmente uma boa noticia para toda a gente. Para além das culpadas do costume, as descobertas cientificas, não consegui pensar em mais nada, e essas é impossível acontecerem todos os dias. Será que sou só eu que não consigo ver, ou não existem mesmo acontecimentos bons?

25.Mar.17

7 Dias - Optimismo

     Todos nós vemos o estado do mundo constantemente, seja através da televisão, do computador ou do telemóvel, e ninguém gosta do que vê. O mundo está cheio de catástrofes, assassinos, desemprego... Até as pessoas à nossa volta andam mal encaradas, respondem mal e apenas sabem reclamar do que vai mal com o mundo. Por esse mundo fora, fala-se sobre tudo aquilo que nos é constantemente mostrado e que nós consumimos como se fosse o estado do mundo todo.

     Talvez fazendo jus ao meu nome, eu não quero ver esse lado. Não quero acreditar que o mundo em que vou ter de viver e de tentar ser feliz se tornou no sitio onde todos vamos ter de sobreviver e de tentar não ser miseráveis.

     Olho à minha volta e vejo pessoas como eu. Quero acreditar que são todas como eu. Por mais desesperadas que estejam, ainda lhes resta alguma esperança, algum optimismo, alguma razão para lutar. Imaginem que todas essas pessoas lutavam, imaginem que todas essas pessoas acreditavam que o mundo era um local bom. Imaginem que toda a gente à vossa volta vos dizia bom dia, que vos sorria ao passarem por vocês na rua, que toda a gente vos ajudava quando vão cheios de sacos pesados até ao carro. Talvez isso seja pedir demais. Pois agora imaginem que a meia dúzia de pessoas que leu este texto fazia isso. Talvez fosse apenas meia dúzia de pessoas que passava a ser olhada de lado como malucos. Eu quero acreditar que, talvez, fosse apenas meia dúzia de pessoas a tornar o mundo num lugar melhor.

24.Mar.17

8 Dias - Nerdfighter

     Nunca gostei muito de comunidades. De nenhum tipo. Nunca fiz parte de uma equipa de futebol nem da associação de estudantes. Nem sequer o meu grupo de amigos é aquele grupo rígido e imutável desde sempre. O pensamento de estar preso é insuportável para mim. Não que tenha problemas de compromisso, mas o pensamento de que tenho de ser alguém com certas características fixas, sejam elas pessoais ou profissionais, assusta-me. Gosto de pensar em mim como alguém que se adapta a cada situação e a ideia de uma comunidade faz-me sentir preso.

     É aí que entra a "nerdfighteria". Descobri a comunidade há pouco tempo e já sinto que faço um pouco parte dela. O que é? Ainda nem consegui perceber ao certo, mas talvez seja isso que faz dela algo diferente. A comunidade foi fundada à volta de um canal de youtube chamado vlogbrothers no qual cada um dos irmãos Hank e John Green (sim, John Green o escritor de A culpa é das estrelas, mas eu nunca li nenhum dos livros dele) publicam vídeos com menos de quatro minutos, dirigidos ao outro. A comunidade em si são as pessoas que acompanham os vídeos, as pessoas que comentam.

     O que me mais me fascinou foram os vídeos simples, de todos os géneros e a comunidade em si que é composta por pessoas normais, em vez dos habituais críticos que habitam nos comentários da internet. Mas, acima de tudo, o que me prendeu foram todos os vídeos que me fizeram pensar, todos os comentários e eventos que surgiram de algo tão simples. Foi isso que me fez pensar que posso realmente ser tudo aquilo que quiser e mudar.

DFTBA (Don't Forget To Be Awesome)

23.Mar.17

9 Dias - Corrida

     Quando me surgiu a ideia para este post tentei correr por entre as páginas da internet e, como sempre acontece, todo parecia acontecer em câmara lenta. Não devo ter demorado mais de 2 minutos a chegar a esta página e a começar a escrever mas pareceu uma eternidade. Com a correria de pensamentos que tenho a todo o instante, tinha de me apressar, antes que este fugisse. Tive de me apressar antes que algo que por segundos julguei importante o suficiente para partilhar me fugisse para sempre e desse lugar a um novo pensamento.

     A atenção que temos para despender é cada vez mais pequena. Não podemos estar mais do que alguns segundos desocupados e, por mais que eu queira ser diferente, não consigo. Mesmo ao escrever este pequeno texto já mudei de página diversas vezes para ver coisas irrelevantes para o que estou a fazer neste momento.

     Na corrida que são as nossas vidas, desperdiçamos mais tempo do que gostaríamos de admitir. Desperdiçamos mais tempo até do que nos apercebemos mas, não conseguimos estar parados um minuto. Estar em silêncio, sem ver ou fazer nada durante um minuto que seja, é uma experiência péssima.

22.Mar.17

10 Dias - Magia

     O fim. É nele que penso ao começar seja o que for. Sei como vai acabar tudo aquilo que quero começar e por isso nem começo. É fácil pensar no fim. É fácil pensar nas consequências do que começamos. O difícil é pensar nas consequências do fazer. Nas consequências reais de tudo aquilo que está entre o inicio e o fim.

     A magia sofre com isso. Qualquer adulto que veja algo apenas vê o inicio e o fim e não vê a magia acontecer. O verdadeiro truque está no fazer. O verdadeiro truque está naquilo que se diz e faz enquanto está a decorrer. As crianças vêem tudo, aprendem tudo e ficam maravilhadas. Não ouvem o cair da moeda no final, porque a verdadeira magia aconteceu mesmo à frente delas, enquanto todos os outros estavam entretidos a falar, enquanto esperavam pelo final.

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