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O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

O pior cego

Não, não quero ver, por isso fujo para mundos meus de leitura, filmes, series e agora também de escrita.

26.Fev.15

Deixem-me gritar

     Apetece-me gritar. Deitado na cama, depois de mais um dia, apetece-me esquecer as normas da sociedade, os vizinhos e aquilo que me prende àquilo que sou e simplesmente gritar.

     Quero libertar-me das amarras que me prendem os pulsos e não me deixam abrir os braços para sentir o vento percorrer o meu corpo. Libertar-me das correntes que tenho nos pés e me impedem de ir onde quero, de saltar muros e ir mais longe, de percorrer caminhos nunca antes percorridos, só meus. Mas mais do que tudo quero libertar-me da mordaça que não me deixa falar, que não me deixa argumentar e discutir.

     Deixem-me gritar. É só uma noite. Deixem-me gritar e eu prometo que volto a ser o cidadão exemplar e responsável que todos julgam que sou. Depois desta noite eu volto a trabalhar, a esforçar-me para, no fim, ser só mais um. Amanhã eu volto a ser igual a todos os outros. Mas hoje, por favor, deixem-me gritar!

22.Fev.15

O meu livro

     Agarrado ao meu livro perco-me nas palavras. As frases construídas tornam-se realidades e a realidade torna-se fantasia. Todas as personagens passam a fazer parte da minha vida e daquilo que eu sou. Quando leio o meu livro eu deixo de ser eu. Deixo de ser o aluno, o amigo, o filho. Deixo de ser a pessoa que está sentada no banco do metro à espera de chegar ao seu destino. Deixo de existir durante os instantes em que estou agarrado aquelas folhas de papel com bocados de tinta espalhados.

     O meu livro leva-me a viajar por muitos países, por terras de fantasia e realidade. Com ele conheço pessoas reais. Amigos, colegas, pais e mães que me dão pedaços delas em troca de outros que eram meus. Eles mudam-me e eu mudo-os a eles. Nas longas conversas com alguns e nas curtas trocas de palavras que tenho com outros passamos a fazer parte da existência uns dos outros.

     Este livro não tem editora nem tão pouco outros leitores. Nas suas páginas estão escritas muitas histórias que se cruzam e enredam numa confusão de nomes e locais. Desde o Tyrion ao Jack, passando pela Alice e pelo Max todos foram meus confidentes e todos me ensinaram algo. Com eles e com tantos outros viajei e continuo a viajar no tempo e no espaço, as centenas de quilómetros e anos que separam o hoje e o agora do infinito que é a imaginação.

18.Fev.15

O pirata

     Em Alto mar sentiu o vento passar pelo cabelo. Viu as velas a moverem-se com o vento e gritou algumas ordens para os seu homens. Estavam algures no meio do Atlântico, o sol estava alto no céu e eles dirigiam-se para Oeste, em busca do desconhecido. Estavam há um mês no mar e após uma calmaria, tinham finalmente vento para voltarem a navegar. Era a primeira vez que capitaneava um navio mas os longos anos no mar tinham-lhe ensinado tudo. Ele era o mais corajoso e o mais forte dos homens e iria ser o pirata mais rico dos sete mares!

     Do topo do mastro ouve-se um grito. "Navio a estibordo!". E lá estava ele. Grande, imponente, com enormes canhões e enormes velas para permitir que todo aquele peso se movesse no mar. Ele sabia o que aquilo significava. Ouro. O suficiente para poder navegar pelo mundo e conhecer tudo o que havia para conhecer. Gritou mais algumas ordens para os seus homens e, ele mesmo, foi içar o pano negro. Começaram-se a aproximar rapidamente. O seu navio era rápido e tinha o vento a favor. Quando chegou perto o suficiente gritou a plenos pulmões "preparar para abordar" e ouve a resposta. "Anda comer, o almoço está na mesa".

     Ali, do topo da sua cama, onde tinha os seus brinquedos preferidos espalhados e um pano preto atado a um canto, usava uma pala. Uma pala que tapava ambos os olhos e que lhe permitia ver tudo.